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 HISTÓRIA | SÉRIE ANTIGA

 
 
VOLUME 3, NÚMERO 2 - NOVEMBRO DE 2017
 
 

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EDIÇÃO COMPLETA


REVISTA HÉLADE
ISSN: 1518-2541
ANO 3, VOLUME 3, NÚMERO 2
NOVEMBRO DE 2017.

 

A responsabilidade pelas opiniões emitidas, pelas informações e ideias divulgadas são exclusivas dos autores.

 

EDITORES
Alexandre Santos de Moraes
Adriene Baron Tacla
Alexandre Carneiro C. Lima

ASSISTENTES DE EDIÇÃO
 Thaís Rodrigues dos Santos
Geovani dos Santos Canuto
Beatriz Moreira da Costa

CONSELHO EDITORIAL
Ana Livia Bomfim Vieira
Ana Teresa Marques Gonçalves
Claudia Beltrão da Rosa
Fábio Faversani
Fábio de Souza Lessa
 Gilvan Ventura da Silva
 José Antônio Dabdab Trabulsi
Maria Beatriz Borba Florenzano
Monica Selvatici
Pedro Paulo de Abreu Funari

CONSELHO CONSULTIVO
Álvaro Alfredo Bragança Júnior
Alvaro Hashizume Allegrette
Antonio Brancaglion Júnior
Andrés Zarankin
Barry Cunliffe
Elaine Hirata
Elif Keser Kayaalp
Fábio Duarte Joly
João Lupi
Luciane Munhoz de Omena
Lynette G. Mitchell
Márcia Severina Vasques
Maria Aparecida de Oliveira Silva
Margarida Maria de Carvalho
Maria Cristina N. Kormikiari Passos
Maria de Fátima Sousa e Silva
Maria Isabel d’Agostino Fleming
Philipp W. Stockhammer
Renata Senna Garraffoni
Violaine Sebillotte Cuchet
Wolfgang Meid

EDITORIAL

Etnicidade: cultura e política
Prof. Dr. Alexandre Santos de Moraes
 
DOSSIÊ - GOLPES E FORMAS DE RESISTÈNCIA NA ANTIGUIDADE
O Panhellenion de Adriano: espaço, integração e identidade no séc. II d.C.
Felipe Perissato
Maria Cristina N. Kormikiari Passos

Resumo: A criação do Panhellenion durante o séc. II d.C. foi tanto um projeto de iniciativa imperial quanto das elites provinciais que procuravam integrar a Grécia com o Império Romano. Com função delegada à organização de cultos, de jogos e de festivais pan-helênicos na Grécia, a liga foi um conselho sediado em Atenas que cultivou uma concepção de identidade pan-helênica muito específica. Esse aspecto ficou evidente tanto nas inscrições que registram as associações das cidades gregas à liga quanto no programa construtivo empregado em Atenas por Adriano. Dessa maneira, este artigo tem como objetivo analisar a criação do Panhellenion como um projeto consciente de política identitária, tendo em vista que a liga institucionalizou uma ideia de pan-helenismo decorrente, sobretudo, de uma leitura romana sobre a Grécia. Além disso, a escolha por Atenas como sede do conselho propiciou sua consolidação como ponto convergente da integração das cidades gregas com Roma. .
Palavras-chave: Panhellenion, Adriano, Identidade étnica, Grécia romana, Integração mediterrânica, Evergetismo.

Abstract: The creation of the Panhellenion in II century A.D. was a project of imperial and provincial elites initiatives that intended to integrate Greece in the Roman Empire. The league was a council located in Athens that cultivated a very specific panhellenic identity conception, whose function was related to the organization of panhellenic cults, games and festivals. This aspect was evident in the inscriptions that registrate the association of greek cities to the league as well as in the constructive program established in Athens by Hadrian. Therefore, this paper has the objective of analyzing the creation of Panhellenion as a conscious project of identity politics, because it intended to disseminate a very specific idea of panhellenism, whose constitution was based in a Roman reading of Greece. Besides that, the choice for Athens as a center to the panhellenic council provided its consolidation as a convergent center of integration of the greek cities with Rome.
Keywords: Panhellenion, Hadrian, Ethnic identity, Roman Greece, Mediterranean Integration, Evergetism.

Etnicidade em questão no século IV a.C.: o discurso Pan-helênico e o cosmopolitismo cínico-estoico
Luís Felipe Bellintani Ribeiro
Roberto Torviso Neto

Resumo: O conceito de “cidadão do mundo” foi reinventado na modernidade, como parte de um projeto de mundo humanista. Foi na antiguidade, porém, que, segundo Diógenes Laércio e outros, Diógenes o cínico pela primeira vez se declarou kosmopolites. O conceito foi depois enfatizado pelos estoicos, em especial Sêneca e Musônio Rufo. Alguns historiadores tendem a ver a campanha de Alexandre Magno como a aplicação do projeto de cidade universal no mundo conhecido. Este texto tem por objetivo problematizar algumas questões concernentes ao cosmopolitismo helenístico, do ponto de vista histórico-factual e quanto à sua concepção intelectual e teórica.
Palavras-chave: Cinismo, cosmopolitismo, pan-helenismo, identidade, Grécia Clássica.

Abstract: The concept of world-citizenship reemerged during the Enlightenment as part of its multiple political proposals. However, it was in classical Greece that, according to Diogenes Laertios’ Lives and others, Diogenes the Cynic first claimed the word kosmopolites. In imperial Rome, the cynical cosmopolitanism was reproduced following axioms of the stoic philosophy by intellectuals like Seneca and Mousonius Rufus. Traditional historians used to understand the Alexandrian campaign as a project of cosmopolis enclosing all people and civilizations of the known world. This paper intends to criticize Hellenistic cosmopolitanism through comparison of its theoretical and factual ways.
Keywords: Cynism, cosmopolitanism, pan-helenism, identity, Classical Greece.

Procópio de Cesareia e a descrição dos líderes bárbaros na obra História das Guerras
Stephanie Martins de Sousa

Resumo: Procópio de Cesareia foi um historiador bizantino que escreveu a obra História das Guerras, publicada entre 551 e 554, que narra as campanhas militares empreendidas pelo imperador Justiniano I que visavam a reincorporação da Península Itálica e do norte da África ao domínio romano. Nos seus escritos, chama a atenção a caracterização dada pelo historiador aos grupos bárbaros que estavam em contato com os romanos durante as guerras, em especial godos e vândalos. O objetivo desse artigo é analisar a construção da imagem nos líderes bárbaros envolvidos nas lides bélicas, com o intuído de demonstrar que houve uma mudança da percepção do historiador ao longo da obra sobre os confrontos e a atuação desses personagens, principalmente com relação ao imperador Justiniano e ao seu governo.
Palavras-chave:
Procópio de Cesareia, Justiniano I, Imagem, Líderes bárbaros.

Résumé: Procopius of Caesarea was a Byzantine historian who wrote The History of Wars, published between 551 and 554, in the work he narrated the military campaigns promoted by Emperor Justinian I which aimed at the reincorporation of the Italic Peninsula and North Africa to Roman rule. In his writings, draws attention the characterization given by the historian to barbarian groups who were in contact with the Romans during the wars, in particular Goths and Vandals. The objective of this article is to analyze the construction of the image of the barbarian leaders involved in the war, with the aim of demonstrating that there was a change in the historian’s perception throughout the work about the confrontations and the performance of these characters, especially with respect to Emperor Justinian and his government.
Mots-clés: Procopius of Caesareia, Justinian I, Image, Barbarian Leaders.
 

Identidades e alteridades guerreiras: uma análise comparada entre Homero e Eurípides
Bruna Moraes da Silva
Resumo: Propomos, no presente artigo, analisar através da Ilíada, de Homero, da Ifigênia em Áulis e da Fenícias de Eurípides, as identidades e alteridades do guerreiro na Antiguidade arcaica e clássica, isto é, as maneiras de como se agir e não se agir em campo de batalha. Partindo da metodologia de Marcel Detienne para a História Comparada e da Análise de Discurso Francesa, iremos destacar como a epopeia e as tragédias investigadas detinham um papel formativo dentro da sociedade em que se inseriam, levando aos seus públicos os ideais bélicos a serem seguidos ou rechaçados.
Palavras-Chave: Identidade, alteridade, guerreiro, Homero e Eurípides.
 
Abstract: We propose in the present article to analyze through the Iliad, of Homer, and the Iphigenia in Aulis and the Phoenician, of Euripides, the identities and otherness of the warrior in the archaic and classical Antiquity, that is, the ways of how to act and not to act in the battlefield. Starting from the methodology of Marcel Detienne for Comparative History and French Discourse Analysis, we will highlight how the epic and tragedies investigated had a formative role within the society in which they were inserted, leading to their public the ideals of war to be followed or rejected.
Keywords: Identity, otherness, warrior, Homer and Euripides.
 
Bárbaros ou Helenos? Estereótipos de Samnitas na literatura Greco-Romana
Rafael Scopacasa
Resumo: Grupos étnicos, tanto no mundo antigo como no atual, não são entidades fixas e claramente definidas, mas agrupamentos fluidos, unidos por ideias de origem comum e semelhanças culturais percebidas. Que este era o caso dos povos itálicos é evidente a partir dos relatos antigos. Este artigo discutirá alguns aspectos da representação dos samnitas nos textos grecoromanos, atentando especialmente à construção de estereótipos culturais sobre esse povo itálico e propondo uma análise preliminar dos mesmos, em vista dos contextos históricos em que eles foram produzidos.
Palavras-chave: Roma; historiografia; povos itálicos; identidade; etnicidade.
Abstract: Ethnic groups, both in the ancient world and in the present, are not fixed and clear-cut entities but fluid groupings that are defined by ideas of common origins and perceived cultural similarities. That this was also the case regarding the ancient Italic peoples is clear from the Greco-Roman accounts which have come down to us. This article discusses descriptions of Samnites in Greco-Roman texts. Cultural stereotypes of Samnite vices and virtues will be examined in light of the historical contexts in which they originated.
Keywords: Rome; historiography; italic peoples; identity; ethnicity.
Etnicidade marginalizada: a identidade Hurrita
Priscila Scoville
Resumo: Pensar questões de etnicidade pode contribuir muito para entendermos as populações do mundo antigo. O Oriente Próximo foi caracterizado pela predominância de grupos semitas e, em menor grau, indoeuropeus, mas esses não eram os únicos na região. Este artigo, portanto, pretende apresentar os hurritas, com um breve levantamento histórico e historiográfico baseado na etnicidade. Vivendo, durante anos, às margens da sociedade próximo-oriental, os hurritas mantiveram seus elementos étnicos e, no segundo milênio AEC, os fortificaram e dispersaram, formando o reino de Mitani. Graças a unificação dos grupos hurritas, decorrente do surgimento do reino, os elementos étnicos foram aceitos na região. Este estudo, então, apresenta uma discussão sobre a pesquisa de etnicidade, tanto na relação teórica como, em especial, no caso aplicado aos hurritas, para entendermos a dispersão e a identidade desses grupos.
Palavras-Chave: Hurritas, Mitani, etnicidade, Antigo Oriente Próximo.
 
Abstract: Ethnographic debates can contribute much to understand peoples from the ancient world. The Ancient Near East was characterised by the predominance of Semitic and, in less quantity, Indo-European people. However, these were not the only groups living there. This paper, thus, aims to present Hurrians through a historical and historiographical survey based on ethnicity. For years, the Hurrians lived in the fringes of the Near Eastern society, but they were able to keep their ethnic elements. In the Second Millennium BCE, those ethnic elements were fortified and widespread due to the Mitannian Kingdom. With Mitanni and the unification of the Hurrian groups, the Hurrian ethnic elements were accepted by others. In this paper, I present a discussion about ethnographic studies, both in terms of theory and its application to the case of Hurrians, aiming to better understand the dispersal and the identity of Hurrian groups.
Keywords: Hurrian, Mitanni, ethnicity, Ancient Near East.

TEMA LIVRE
Pan. El vagabundeo del músico pastor
María Cecilia Colombani

Resumen:  El proyecto del presente trabajo consiste en recorrer el Himno Homérico XIX a Pan a fin de relevar ciertas marcas identitarias y algunos aspectos funcionales de Pan, una divinidad desconocida para Homero y Hesíodo que no lo nombran en sus referencias a los Olímpicos. Aparece como un dios cornudo, con patas de cabra, de imagen lasciva, peligroso e irascible, inscrito en el límite de la tensión entre naturaleza y cultura. Proponemos una primera aproximación a su imagen de la mano del soporte cerámico como modo de cruzar dos lenguajes, dos órdenes discursivos, con sus reglas propias de funcionamiento, dos logoi que, en su entrecruzamiento textual, nos permitirán un acceso más profundo a la materialidad del tópico. Desde esta perspectiva, los “vasos” hablan, constituyen un soporte de imaginería que nos permite acercarnos a la representación de Pan, de modo análogo a la entrada que nos habilitan las fuentes, que analizaremos paralelamente.
Palabras clave: Pan, Himno homérico a Pan, figuras rojas, mismidad, otredad.

Abstract: The project of the present work consists of traversing the Homeric Hymn XIX to Pan in order to relieve certain identity marks and some functional aspects of Pan, a divinity unknown to Homer and Hesiod who do not name him in his references to the Olympians. He appears as a cuckolded god, with goat’s legs, a lascivious, dangerous and irascible image, inscribed on the edge of the tension between nature and culture. We propose a first approximation to his image of the hand of the ceramic support as a way of crossing two languages, two discursive orders, with their own rules of operation, two logoi that, in their textual cross-linking, will allow us a deeper access to the materiality of the topic. From this perspective, the “vases” speak; constitute a support of imagery that allows us to approach the representation of Pan, analogous to the input that enables us sources, which we will analyze in parallel.
Keywords: Pan, Homeric Hymn to Pan, red-figure style, sameness, otherness.

De "garoto inofensivo" a Basileus Alexandros. Sobre as etapas de construção do Império de Alexandre
José das Candeias Sales

Resumo: Quando Alexandre subiu ao trono da Macedónia, Demóstenes chamou-lhe «garoto inofensivo». O que é facto é que o jovem rei, em pouco mais de um ano, unificou a Grécia, foi designado hegemon (chefe supremo das forças gregas), iniciou as hostilidades directas com os Persas e, em pouco mais de dois anos (334 a 332 a.C.), realizou uma série de imparáveis conquistas do Mar Negro até ao Vale do Nilo, retirando inúmeras cidades e regiões do domínio aqueménida. Mais tarde, com a tomada das capitais reais Babilónia, Susa, Persépolis e Pasárgada e consequente recolha das suas inúmeras riquezas financeiro-monetárias, Alexandre tornou-se senhor de um vasto império. Com a morte de Dario III Codomano, proclama-se herdeiro do império aqueménida, realizando, assim, o evento político mais importante da história do Próximo Oriente da sua época. Alexandre foi, de facto, o primeiro grande conquistador a unir a Grécia, o Egipto, a Ásia Menor e a Ásia, dominando um império que se estendia do Adriático ao Indo, do Danúbio às cataratas do Nilo, criando um poderoso sincretismo étnico entre os Macedónios e as populações conquistadas (especialmente com os Persas Aqueménidas) e assegurando a expansão das ideias, cultura e mentalidade dos Gregos.
Palavras-chave: Alexandre Magno, vitórias militares, identidade políticocultural

Abstract: When Alexander became king of Macedonia, Demosthenes called him “harmless boy”. Fact is that the young king, in little more than one year, unified Greece, was designated hegemon (supreme commander of the Greek forces), initialized direct hostilities with the Persians and, in just over two years (334 to 332 B.C.), conducted a series of unstoppable conquests from the Black Sea to the Nile Valley, removing numerous cities and regions from the Achaemenid dominion. Later, Alexander conquered royal capitals such as Babylon, Susa, Persepolis and Pasargadae and with the consequent withdrawal of countless financial and monetary richness he became lord of a vast empire. After the death of Darius III Codomannus, Alexander is proclaimed heir of the Achaemenid Empire, performing, thus, the most important political event in the history of the Near East of his time. Alexander was, in fact, the first great conqueror who united Greece, Egypt, Asia Minor and Asia, dominating an empire that extended from the Adriatic to the Indus, from the Danube to the Nile cataracts, creating a powerful ethnic syncretism between the Macedonians and the conquered populations (especially with the Persian Achaemenids) and ensuring the expansion of the ideas, the culture and the mentality of the Greeks.
Keywords: Alexander the Great, military victories, political and cultural identity.


 
 
 
 
 
   

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