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 HISTÓRIA | SÉRIE ANTIGA

 
 
MEMÓRIA DA REVISTA
 
 

Lançada em 2000, a Hélade foi a primeira revista eletrônica brasileira dedicada exclusivamente à História Antiga. Editada pela iniciativa de Adriene Baron Tacla (1), Alexandre Carneiro Cerqueira Lima (2) e Maria Regina Cândido (3), o periódico foi pioneiro no Brasil em disponibilizar artigos sobre a Antiguidade gratuitamente através da internet, atuando na vanguarda da atual tendência editorial das revistas científicas nacionais e estrangeiras.

O Pégasos, apropriado como marca a partir de uma moeda coríntia, é uma personagem mítica com atributos que marcariam metaforicamente as expectativas da revista. O cavalo alado, cujo nome deriva do termo grego pégé, “fonte”, é assim denominado segundo Hesíodo porque “ao pé das águas do Oceano nasceu” (HESÍODO, Teogonia, v. 281-282). A criatura surge através da ação belicosa de Perseu, que decepou a cabeça da Medusa com uma foice de aço que recebeu de presente das mãos de Hermes. Do sangue que jorrou do pescoço da Górgona nasceu o Pégasos, que imediatamente voou em direção ao Olimpo para se colocar a serviço de Zeus. O Pégasos também está associado a Belerofonte, que graças à sua ajuda pode matar sozinho a Quimera e vencer as Amazonas. Desta forma, seus mitos evocam constantemente as noções de combatividade e movimento, já que o Pégasos, um híbrido de cavalo e águia, é rebelde em relação a qualquer barreira, irrompendo as estradas com suas patas ou cruzando o céu com suas asas.

Moeda coríntia que compunha o 
logotipo da primeira série da Hélade

Combatividade e movimento seriam duas ideias caras aos editores. A primeira, associada às diretrizes da revista, representava as tensões, embates, dilemas, conflitos e mudanças que caracterizam o campo historiográfico, materializados através de debates necessários à crítica acadêmica e consequente consolidação de novos objetos de estudo. A segunda, ligada ao suporte da informação, valorizava o prognóstico que então se confirmava de que a internet ajudaria a irromper os limites físicos da difusão do conhecimento, fatalmente sedentários quando enclausurados no papel. No primeiro editorial publicado, Alexandre Carneiro Cerqueira Lima escreveu que “a Revista Hélade tem como objetivo colocar es mésos, sem fronteiras ou quaisquer restrições, a produção dos especialistas brasileiros e estrangeiros sobre sociedades antigas” (4). Adiante, conclui essa ideia e sintetiza as diretrizes supracitadas: “uma Revista Eletrônica permite estabelecer o contato entre pesquisadores do mundo inteiro, abolindo fronteiras ou barreiras. Só com o debate a pesquisa cresce, alça voo e chega ao Olimpo, como ocorreu com a nossa fonte de inspiração: o Pégasos” (5).

Previamente acessível através do endereço www.heladeweb.net, hoje inativo, era mantida a expensas de seus editores. Ao longo de sua vigência, a Hélade publicou 48 artigos, assinados por quarenta autores diferentes (6). A periodicidade foi sustentada entre 2000 e 2002, com dois números publicados anualmente, em geral compostos de cinco artigos e uma resenha. O ano de 2001 foi o mais ativo do periódico e a todos surpreendeu com a receptividade e interesse de internautas em outros países que não tem a língua portuguesa como língua materna (Gráficos 1 e 2 abaixo). Neste mesmo ano, além de publicar os dois números esperados, contou com um número especial relativo aos Anais do Grupo de Trabalho de História Antiga da ANPUH, realizado no XXI Simpósio Nacional da ANPUH de 23 a 25 de julho do mesmo ano na Universidade Federal Fluminense.

Gráfico 1 – Estatística de acesso da Hélade, destacando os países de origem dos leitores

 

Gráfico 2 – Estatísticas de acesso mostrando os países mais ativos na leitura do periódico
 

O Conselho Consultivo da Hélade era formado pelos professores André Leonardo Chevitarese (UFRJ), Gabriele Cornelli (UNIMEP), Maria da Graça Schalcher (UFRJ), Pedro Paulo Funari (UNICAMP) e Sílvia Damasceno (UFF). O Conselho Editorial, a seu turno, era composto pelos professores Ana Teresa Marques Gonçalves (UFG), Ciro Flammarion Cardoso (UFF), Haiganuch Sarian (USP), José Antonio Dabdab Trabulsi (UFMG), Maria Manuela Ramos Souza Silva (UFRJ), Neyde Theml (UFRJ), Norma Musco Mendes (UFRJ) e Roland Étienne (École Française d'Athènes). Privilegiava-se desta forma a participação de pesquisadores de diferentes instituições de ensino e com especialidades distintas, com vistas a estimular o diálogo e fomentar a interdisciplinaridade que marcadamente acompanha os Estudos Clássicos em nosso país.

Apesar de o nome sugerir uma aparente ênfase na História Grega, a revista sempre se caracterizou por abrir espaço para publicação de diferentes sociedades antigas. Nos anos mais intensos de sua atividade, as edições contavam com artigos que discutiam temas relativos tanto à Antiguidade Clássica quanto ao Antigo Oriente Próximo e ao Extremo Oriente. É digno de notar que essa tendência deve ser situada no entremeio do desejo dos editores de fomentar a diversidade de sociedades antigas estudadas e a tendência geral do campo no Brasil, que tradicionalmente concentrou suas atenções em Grécia e Roma. O gráfico abaixo representa a proporção de sociedades abordadas nos artigos.
 

Gráfico 3 - Proporção de sociedades antigas abordadas nos artigos da primeira fase da revista
 

Após 2002, a Hélade começa a perder sua periodicidade. Apenas um volume foi lançado no biênio 2003-2004. O mesmo aconteceu em 2005, que foi ao ar com apenas três artigos. Ao longo dos anos, apesar de ter encerrado suas atividades, o site continuou sendo mantido por seus editores, até que o domínio expirou e não foi renovado. Destarte, o resgate de sua memória, além de trazer à luz uma série de importantes contribuições brasileiras para a História Antiga, oferece subsídios para avaliarmos o percurso de um campo que, à época de sua publicação, ainda buscava se consolidar a duras penas. O volume de artigos publicados, o impulso por divulgar o conhecimento produzido em nossas universidades de forma gratuita e sem fronteiras, o espaço consolidado ao longo de sua atividade e mesmo as razões que a levaram à perda de periodicidade são indicativos importantes não apenas para pensar a história de uma revista em particular, mas o movimento de um campo historiográfico que, como o Pégaso, careceu de muita combatividade para se consolidar em nosso país (7).


 


NOTAS

1 - À época da primeira edição da revista, mestranda em História Social junto ao Programa de Pós-graduação em História Social (PPGHIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente, é Professora Adjunta do Departamento de História e do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF).
2 - À época da primeira edição da revista, doutorando em História Social junto ao Programa de Pós-graduação em História Social (PPGHIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente, é Professor Associado do Departamento de História e do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF).
3 - À época da primeira edição da revista, doutoranda em História Social junto ao Programa de Pós-graduação em História Social (PPGHIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é Professora Associada do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
4 -
LIMA, Alexandre Carneiro Cerqueira. Pégaso: o cavalo alado da Hélade. Hélade, v. 1, n. 1, 2000, p. 7.
5 - Idem.
6 - Adriene Baron Tacla, Alexandre Carneiro Cerqueira Lima, Álvaro Alfredo Bragança Júnior, Alvaro Hashizume Allegrette, Ana Livia Bomfim Vieira, Ana Tereza Marques Gonçalves, André Bueno Bueno, André da Silva Bueno, Andrés Zarankin, Ciro Flamarion Cardoso, Cláudia Beltrão, Denise Milon Del Peloso, Edgard Leite Ferreira Neto, Fábio de Souza Lessa, Fábio Duarte Joly, Fábio Faversani, Gabriele Cornelli, Gilvan Ventura da Silva, Glória Braga Onelley, José Francisco de Moura, José Roberto de Paiva Gomes, Julio Gralha, Katsuzo Koike, Lourdes M. G. C. Feitosa, Luciane Munhoz de Omena, Margarida Maria de Carvalho, Maria Aparecida de Oliveira Silva, Maria Manuela R. de Souza e Silva, Maria Regina Candido, Monica Selvatici, Neyde Theml, Norma Musco Mendes, Pedro Paulo A. Funari, Rachel Correia Lima Reis, Regina Maria da Cunha Bustamante, Renata Senna Garraffoni,Sílvia Damasceno, Tatiana Carneiro dos Rei, Uiara de Barros Otero e Valéria Reis.
7 - Excluímos aqui o número especial de 2001, que conta com 11 artigos ligados ao Ensino de História Antiga no Brasil.

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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